História de Santa Rosa do Sul: da Lagoa de Sombrio à formação do município

A ocupação da planície, a circulação pelas margens da Lagoa de Sombrio e a formação de diferentes comunidades ajudam a explicar a trajetória que deu origem a Santa Rosa do Sul.

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Grupo reunido em frente a uma edificação em registro histórico de Santa Rosa do Sul. Imagem: reprodução da apresentação História de Santa Rosa do Sul, de Adriana Lentz Della Vecchia Magnus, via SlideShare, com tratamento por IA.

Antes de Santa Rosa, a ocupação da planície

A história do território onde hoje está Santa Rosa do Sul começou muito antes da criação do município e também antes da formação da comunidade que daria origem à cidade.

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Pesquisas arqueológicas realizadas nas margens da Lagoa de Sombrio identificam ocupações humanas anteriores à colonização europeia e mostram que esse ambiente teve importância para diferentes grupos ao longo do tempo.

A lagoa oferecia recursos para subsistência e também funcionava como espaço de circulação. Sua presença influenciou a ocupação de uma extensa área que atualmente pertence a diferentes municípios do Extremo Sul catarinense.

Com o avanço da ocupação colonial durante o século XIX, novas propriedades começaram a se estabelecer nessa região. Entre os registros históricos aparece a chamada Sesmaria Rodrigues, associada a Manoel Rodrigues da Silva e Luciano Rodrigues da Silva e inserida no processo mais amplo de ocupação do território entre Araranguá e o Rio Mampituba.

Ao longo do século XIX e das primeiras décadas do século XX, novas famílias chegaram à região, vindas de diferentes pontos de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

A lagoa como parte da vida da comunidade

A formação das comunidades aconteceu em uma paisagem marcada pela planície, pelas áreas agrícolas e pela proximidade da Lagoa de Sombrio.

A lagoa não representava apenas um elemento da paisagem.

Durante um período em que as estradas eram limitadas, suas águas também permitiam deslocamentos e o transporte de pessoas e mercadorias.

Essa relação aparece inclusive na história do núcleo que mais tarde daria origem à sede de Santa Rosa do Sul.

Um dos moradores associados à formação daquela comunidade, Alfredo José dos Santos, é citado pelas fontes como proprietário de um porto na Lagoa de Sombrio.

A presença desse porto demonstra como a circulação pela água fazia parte da vida econômica e social daquele território.

Ao redor dessas rotas e das propriedades rurais, a comunidade começou gradualmente a ganhar forma.

De Morro das Mortes a Três Alfredos

Antes de ser conhecida como Santa Rosa, a localidade passou por diferentes denominações.

Uma delas foi Morro das Mortes.

A tradição histórica preservada no município relaciona esse nome a um episódio ocorrido durante o período da Revolução Federalista, no final do século XIX.

Segundo essa narrativa, dois homens perseguidos pela polícia teriam procurado refúgio na região. Um deles teria sido localizado próximo à Lagoa de Sombrio e obrigado a revelar onde o outro estava escondido. Os dois acabariam executados no morro.

A história teria se espalhado entre os moradores e dado origem à denominação Morro das Mortes.

Como os registros disponíveis apresentam o episódio principalmente por meio da memória histórica local, ele deve ser entendido como uma tradição associada à origem do antigo nome, e não como um acontecimento cuja documentação contemporânea tenha sido localizada.

Mais tarde, outra denominação surgiu.

A coincidência da presença de três moradores chamados Alfredo fez com que a comunidade passasse a ser conhecida como Três Alfredos.

Eram Alfredo José dos Santos, ligado ao porto da Lagoa de Sombrio; Alfredo Calazans Emerim, farmacêutico; e Alfredo Teixeira da Rosa, comerciante.

Mais do que uma curiosidade, as atividades desenvolvidas pelos três ajudam a mostrar que aquele núcleo já reunia circulação de pessoas, comércio e serviços.

Três Alfredos torna-se Santa Rosa

No final da década de 1920, a construção de uma igreja marcou outra etapa da organização da comunidade.

As fontes locais registram que as obras começaram em 10 de outubro de 1928, com participação de moradores na construção.

A escolha da padroeira também acabaria influenciando diretamente o nome do lugar.

Diante da presença de diversas famílias com o sobrenome Rosa, a comunidade escolheu Santa Rosa de Lima como padroeira.

Em 1932, com a consolidação da devoção a Santa Rosa de Lima, a comunidade passou a ser conhecida como Santa Rosa.

A mudança de nome acompanhava uma comunidade que já havia desenvolvido referências próprias e se consolidava como núcleo populacional dentro do território então pertencente a Sombrio.

Ao redor da sede, outras comunidades rurais também participavam dessa formação, sustentadas principalmente pela agricultura e pelas relações estabelecidas entre propriedades, pequenos núcleos e caminhos locais.

A agricultura acompanha o crescimento

A agricultura teve papel constante na ocupação e no desenvolvimento do território.

As características da planície favoreceram diferentes cultivos e fizeram do meio rural uma parte importante da economia e do cotidiano das famílias.

Enquanto o pequeno núcleo de Santa Rosa reunia comércio, serviços e atividades comunitárias, grande parte da população permanecia distribuída pelas localidades rurais.

Esse processo ocorreu durante décadas ainda sob administração de Sombrio.

Com o crescimento da comunidade, surgiu a necessidade de uma organização administrativa própria.

Santa Rosa torna-se distrito de Sombrio

Em 24 de novembro de 1955, a Lei Municipal nº 1 criou oficialmente o distrito de Santa Rosa.

O novo distrito foi formado por áreas desmembradas dos distritos de Passo do Sertão e Sombrio e permaneceu subordinado ao município de Sombrio.

A criação do distrito reconhecia administrativamente uma comunidade que já havia se estruturado ao longo das décadas anteriores.

Nos anos seguintes, Santa Rosa continuou sua trajetória como um território marcado pela presença das comunidades rurais e pela agricultura, ainda integrado administrativamente a Sombrio.

Essa condição permaneceria até o movimento pela emancipação.

A criação de Santa Rosa do Sul

Em 4 de janeiro de 1988, a Lei Promulgada nº 1.109 criou oficialmente o município de Santa Rosa do Sul, desmembrado de Sombrio.

A legislação determinou que o novo município seria constituído pela área do antigo distrito de Santa Rosa e que sua sede seria elevada à categoria de cidade.

Foi também nesse processo que o nome recebeu o complemento “do Sul”, diferenciando o novo município de outro já denominado Santa Rosa no Brasil.

A própria lei de criação utiliza a Lagoa de Sombrio como parte da delimitação territorial do município, mantendo no desenho administrativo uma referência geográfica que já havia participado da história de ocupação e circulação daquela região.

A criação legal, entretanto, não significou a instalação imediata do novo município.

Entre a criação e a instalação do município

O processo de emancipação de Santa Rosa do Sul teve uma particularidade.

Segundo o histórico administrativo do IBGE, a execução da lei de criação ficou suspensa a partir de 15 de julho de 1988, pela Medida Cautelar nº 1.560, até o julgamento definitivo da representação.

Por isso, embora Santa Rosa do Sul tenha sido criada legalmente em janeiro de 1988, sua instalação ocorreu somente em 1º de junho de 1989.

Essa diferença ajuda a explicar por que diferentes registros históricos apresentam tanto 1988 quanto 1989 associados ao surgimento do município.

Os dois anos representam momentos distintos: 1988 marca sua criação legal; 1989, sua instalação efetiva.

A partir daí, Santa Rosa do Sul iniciou sua trajetória administrativa independente de Sombrio.

Uma história ligada à lagoa, à terra e às comunidades

A trajetória de Santa Rosa do Sul não pode ser resumida apenas à data de sua emancipação.

Muito antes de existir como município, aquele território já era ocupado e transformado pelas relações entre seus habitantes e a paisagem.

A Lagoa de Sombrio participou dessa história como fonte de recursos e espaço de circulação. A planície favoreceu a formação das propriedades rurais. Ao redor delas surgiram comunidades, caminhos, comércio e serviços.

A própria sede também mudou ao longo desse processo.

Foi associada à memória de Morro das Mortes, tornou-se conhecida como Três Alfredos, recebeu o nome de Santa Rosa e, finalmente, transformou-se em Santa Rosa do Sul.

Cada denominação guarda uma parte de uma trajetória mais ampla.

O município instalado em 1989 nasceu de uma história construída entre a lagoa e a planície, pela agricultura, pela circulação de pessoas e pela formação de comunidades que, durante décadas, fizeram parte do território de Sombrio antes da conquista da autonomia.

Linha do tempo de Santa Rosa do Sul

Antes da colonização europeia — Diferentes ocupações humanas deixam registros arqueológicos na região da Lagoa de Sombrio.

Século XIX — Avança a ocupação colonial da região onde posteriormente se formariam Santa Rosa e outras comunidades.

Final do século XIX — A tradição local relaciona o nome Morro das Mortes a um episódio ocorrido durante o período da Revolução Federalista.

Início do século XX — A comunidade passa a ser conhecida como Três Alfredos, referência a Alfredo José dos Santos, Alfredo Calazans Emerim e Alfredo Teixeira da Rosa.

10 de outubro de 1928 — Começa a construção da igreja da comunidade.

1932 — Com a consolidação da devoção a Santa Rosa de Lima, a comunidade passa a ser conhecida como Santa Rosa.

24 de novembro de 1955 — A Lei Municipal nº 1 cria o distrito de Santa Rosa, formado por áreas desmembradas dos distritos de Passo do Sertão e Sombrio.

4 de janeiro de 1988 — A Lei Promulgada nº 1.109 cria o município de Santa Rosa do Sul, desmembrado de Sombrio.

15 de julho de 1988 — Segundo o histórico administrativo do IBGE, a execução da lei de criação é suspensa pela Medida Cautelar nº 1.560.

1º de junho de 1989 — Santa Rosa do Sul é instalada como município.

Fontes consultadas

  • IBGE — Histórico e Formação Administrativa de Santa Rosa do Sul — utilizado para a formação administrativa, criação do distrito, mudanças de denominação e cronologia da criação e instalação do município.
  • Santa Rosa do Sul (SC). Prefeitura. 2014. Histórico do município — fonte do histórico reproduzido pelo IBGE, utilizada especialmente para as narrativas locais sobre Morro das Mortes, Três Alfredos, formação religiosa da comunidade e mudança para o nome Santa Rosa.
  • SILVEIRA, Paola Vieira da. Pesquisa sobre a ocupação histórica das margens da Lagoa de Sombrio. Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), 2020 — utilizada para contextualizar as ocupações anteriores à colonização, a relação das comunidades com a lagoa e sua importância para subsistência e circulação.
  • FARIAS, Vilson Francisco de. Pesquisas sobre a formação histórica de Sombrio e região — utilizadas como apoio para contextualizar a ocupação colonial e a Sesmaria Rodrigues.
  • Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina — Lei Promulgada nº 1.109, de 4 de janeiro de 1988 — fonte primária para a criação de Santa Rosa do Sul, seu desmembramento de Sombrio, composição territorial e denominação oficial. Consultar a Lei nº 1.109/1988 na ALESC

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