História de Balneário Gaivota: da pesca e do veraneio à formação do município

Comunidades já ocupavam diferentes pontos do atual território antes de Praia Gaivota se consolidar como lugar de pesca e veraneio e conquistar sua autonomia de Sombrio.

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Um território que pertencia a Sombrio

A história de Balneário Gaivota como município é recente. Até a década de 1990, seu território fazia parte de Sombrio, município ao qual esteve administrativamente ligado durante grande parte de sua formação.

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Por isso, compreender essa trajetória exige distinguir duas histórias que se encontram: a das comunidades existentes no território que posteriormente formaria o município e a do núcleo litorâneo que se desenvolveu na região da atual sede.

Os registros encontrados mostram que a ocupação não estava restrita à beira-mar. Uma pesquisa acadêmica que aborda a história regional identifica Palmeiras como uma das comunidades mais antigas do atual município de Balneário Gaivota e registra a presença de moradores também em áreas como Estiva dos Rodrigues.

Na região da praia, por sua vez, a pesca aparece como um dos elementos mais antigos documentados da formação do núcleo que daria origem à atual cidade.

O Arroio do Gildo

Por volta da década de 1920, a família do pescador Gildo Coelho fixou residência às margens de um pequeno arroio na área onde atualmente está o centro de Balneário Gaivota.

Segundo relato histórico reproduzido em pesquisa acadêmica, a família retirava da pesca seu sustento e comercializava o excedente em Sombrio. Também mantinha criação de galinhas, porcos e um pequeno rebanho bovino.

A presença do pescador acabou deixando uma marca na própria identificação daquele lugar.

A área da atual sede passou a ser conhecida como Arroio do Gildo, denominação relacionada a Gildo Coelho. Com o tempo, outros moradores se estabeleceram na região.

Esse registro oferece um dos primeiros pontos mais concretos que conseguimos identificar na história do núcleo litorâneo que posteriormente se transformaria na cidade de Balneário Gaivota.

Outras comunidades do atual município

Enquanto o núcleo junto ao mar começava a se formar, outras comunidades também faziam parte da ocupação do território que décadas depois seria emancipado de Sombrio.

Entre elas está Palmeiras, apontada em pesquisa histórica como uma das comunidades mais antigas do atual município.

A capela da comunidade, dedicada a Nossa Senhora do Bom Jesus, foi construída em 22 de dezembro de 1945. O registro histórico daquele período menciona moradores ligados ao comércio local, demonstrando que a ocupação do território de Balneário Gaivota não pode ser compreendida apenas a partir do desenvolvimento posterior da praia.

Há também registros históricos relacionados à comunidade de Estiva dos Rodrigues, reforçando a existência de ocupação em áreas afastadas da orla antes da criação do município.

Essas comunidades permaneceriam durante décadas pertencendo administrativamente a Sombrio.

A praia como lugar de veraneio

Além da pesca e da presença de moradores permanentes, Praia Gaivota passou a fazer parte do cotidiano de famílias que buscavam o litoral para descanso e lazer.

Na década de 1950, o carro de boi era um dos meios utilizados pelas famílias de Sombrio para chegar à então Praia Gaivota. Na imagem, registro da família Maggi durante uma dessas viagens ao litoral. Foto: Aracy Maggi / Inventário Fotográfico da Casa da Cultura de Sombrio.

Segundo o relato associado à imagem, a família começava a viagem ainda de madrugada e chegava perto do meio-dia, a tempo de aproveitar o banho de mar.

O registro ajuda a dimensionar como era o deslocamento até a praia naquele período. Antes das facilidades de acesso existentes nas décadas seguintes, chegar ao litoral significava enfrentar horas de viagem.

Também comprova que, naquele momento, Praia Gaivota já era utilizada para o veraneio por famílias provenientes de Sombrio.

Assim, pesca, moradores permanentes e veranistas aparecem entre os elementos documentados da formação do núcleo litorâneo.

De Praia Gaivota a Balneário Gaivota

As décadas seguintes trouxeram o crescimento da ocupação do litoral, embora as fontes disponíveis não permitam reconstruir em detalhes todas as etapas dessa transformação.

Os históricos oficiais relacionam o desenvolvimento da região à intensificação das atividades de pesca e lazer.

É somente no final do século XX que a documentação administrativa permite acompanhar com precisão a transformação política daquele território.

Em 30 de agosto de 1990, a Lei Municipal nº 770, de Sombrio, criou oficialmente o Distrito de Balneário Gaivota.

A legislação registrou Balneário Gaivota como nome do novo distrito e Praia Gaivota como sua sede.

A partir daquele momento, a comunidade continuava pertencendo a Sombrio, mas passava a possuir reconhecimento administrativo como distrito.

O movimento pela emancipação

Depois da criação do distrito, cresceu a mobilização pela autonomia político-administrativa.

Segundo o histórico registrado pelo IBGE, o movimento levou à criação da Comissão de Emancipação de Balneário Gaivota, que conduziu o processo para a formação do novo município.

A emancipação ocorreu cinco anos depois.

Em 29 de dezembro de 1995, a Lei Estadual nº 10.054 criou oficialmente o Município de Balneário Gaivota, desmembrado de Sombrio.

O novo município foi constituído pela área territorial do distrito de mesmo nome, e a antiga sede distrital foi elevada à categoria de cidade.

A própria delimitação estabelecida pela lei mostra a dimensão do território criado. Balneário Gaivota passou a se estender do Oceano Atlântico à Lagoa do Sombrio, tendo também elementos como o Rio Caverá e a Lagoa Caverá utilizados na definição de seus limites.

A formação do município reuniu, portanto, não apenas o núcleo urbano desenvolvido junto à praia, mas também comunidades existentes no território que até então pertencia a Sombrio.

A instalação do município

A criação de Balneário Gaivota ocorreu em dezembro de 1995, mas sua instalação administrativa aconteceu posteriormente.

Em 3 de outubro de 1996, Everaldo João Ferreira foi eleito primeiro prefeito do município.

Balneário Gaivota foi oficialmente instalado em 1º de janeiro de 1997, iniciando sua trajetória administrativa independente de Sombrio.

Era uma nova etapa para um território onde comunidades já haviam se formado anteriormente e onde o núcleo junto ao mar havia desenvolvido uma relação marcada pela pesca e pelo veraneio.

Uma história construída entre comunidades e o litoral

Balneário Gaivota possui uma trajetória administrativa mais recente que a de muitos municípios do Extremo Sul catarinense.

Isso não significa, entretanto, que a história do território tenha começado com a emancipação.

Os registros disponíveis permitem identificar comunidades estabelecidas em diferentes áreas e, junto ao litoral, acompanhar alguns momentos da formação do núcleo que se desenvolveria em torno da praia.

Na década de 1920, a memória histórica registra Gildo Coelho e sua família vivendo da pesca junto ao arroio que passaria a levar seu nome. Em 1945, a construção da capela de Palmeiras aparece como um dos registros da organização das comunidades do interior. Na década de 1950, fotografias mostram famílias de Sombrio enfrentando uma longa viagem de carro de boi para passar um período na Praia Gaivota.

Décadas depois, o crescimento da ocupação levou à criação do distrito em 1990. Cinco anos mais tarde veio a emancipação, seguida pela instalação do município em 1997.

São registros de uma história relativamente recente, construída tanto pelas comunidades espalhadas pelo território quanto pela relação com o litoral que ajudaria a dar identidade a Balneário Gaivota.

Linha do tempo

Década de 1920 — A memória histórica registra a família de Gildo Coelho estabelecida junto ao arroio na área da atual sede, vivendo principalmente da pesca.

22 de dezembro de 1945 — É construída a capela de Nossa Senhora do Bom Jesus, na comunidade de Palmeiras.

Década de 1950 — Registro fotográfico preservado pela Casa da Cultura de Sombrio mostra a família Maggi viajando de carro de boi para Praia Gaivota.

30 de agosto de 1990 — Lei Municipal nº 770 cria o Distrito de Balneário Gaivota, pertencente a Sombrio.

29 de dezembro de 1995 — Lei Estadual nº 10.054 cria o Município de Balneário Gaivota, desmembrado de Sombrio.

3 de outubro de 1996 — Everaldo João Ferreira é eleito primeiro prefeito.

1º de janeiro de 1997 — Balneário Gaivota é oficialmente instalado.

Fontes consultadas

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — Histórico e Formação Administrativa de Balneário Gaivota.

Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC) — Lei Estadual nº 10.054, de 29 de dezembro de 1995.

Arquivo Público do Estado de Santa Catarina (APESC) — Diário Oficial contendo a Lei Municipal nº 770, de 30 de agosto de 1990.

Prefeitura Municipal de Balneário Gaivota — Histórico do município.

Prefeitura Municipal de Sombrio / Casa da CulturaSombrio em Imagens: registro da família Maggi viajando de carro de boi para Praia Gaivota na década de 1950.

PEREIRA, Lúcia Adélia Garcia. Balneário Gaivota – Sua Terra… Sua Gente…. 2004. 107 p. Obra consultada indiretamente por meio de pesquisas acadêmicas que a utilizam como referência para a história local.

Universidade La Salle — Pesquisas acadêmicas sobre memória e história de Balneário Gaivota.